Intromissões

Por conta de nossa pequenez em relação ao desconhecido, acreditamos por vezes que podemos interferir nos processos de vida de outros.

As interferências através de palpites, conselhos, falas imperativas, e outros modos de intercessão, só podem ser feitas com a solicitação e permissão dos envolvidos e ainda assim, é necessário avaliar se estamos em condições para prestar esta interferência.

Em nome de crenças e sentimentos que nem sempre são nossos, nos sentimos no dever de ajudar as pessoas e quase sempre esquecemos de nos perguntar:

– a pessoa pediu ajuda?
– você quer ajudar?
– você pode ajudar?

É importante que saibamos que interferências na vida dos outros podem trazer a quem interfere, ônus e bônus.
Quando paramos de olhar para as nossas próprias vidas e nos dedicamos a olhar a vida de outros, por mais bem intencionados que estejamos, estamos lidando com um fio tênue, um lugar bastante delicado.
Segundo a visão sistêmica, conhecer nosso lugar nos relacionamentos – na família, relacionamentos amorosos, no trabalho, dentro da hierarquia da empresa ao qual somos funcionários, amigos, social, com nossos vizinhos, expandindo para a sociedade como um todo, nos traz leveza e também lucidez em nossas possíveis interferências na vida de outros.
Todos nós temos a tendência a intromissões em processos que não são nossos.
Esquecemos que cada um de nós, tem sua própria vida para viver.

Isso não quer dizer que não podemos ser solidários aos nossos familiares, parceiros amorosos, amigos, colegas de trabalho, vizinhos e com as coisas que acontecem dentro da sociedade ao qual pertencemos.
Podemos ser solidários na escuta, no abraço, no simplesmente estar ao lado e também na necessidade do outro em ficar sozinho.
Há muitas maneiras de contribuirmos com outros sem interferir na vida deles.

Deixo perguntas que podemos ou não, de vez em quando nos fazer:

Eu tenho o impulso de querer interferir na vida dos outros?
De que maneira eu me intrometo em assuntos que não me dizem respeito?
A vida alheia é mais interessante do que a minha?
O que está oculto em mim que me impulsiona a querer interferir na vida alheia?

As respostas podem ser surpreendentes.


Elaine Leal Carvalho
Terapeuta e Consteladora Familiar

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